Negócios
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Por João Sorima Neto e Ivan Martínez-Vargas — São Paulo

Entre as muitas batalhas que a Americanas trava na Justiça em meio à recuperação judicial, o embate entre a varejista e o BTG Pactual chama a atenção pela agressividade, que reflete a marca dos negócios dos bilionários que estão por trás da rede de lojas em crise e do banco de investimentos que é um de seus maiores credores.

De um lado, Jorge Paulo Lemann, ponta mais evidente do trio de sócios de referência da Americanas, com patrimônio de US$ 16 bilhões (cerca de R$ 82 bilhões), considerado o brasileiro mais rico. Do outro, André Esteves, maior acionista do BTG, com fortuna de R$ 30 bilhões e um histórico ousado.

A postura ofensiva nos negócios, traço marcante da personalidade de ambos, se reflete nos processos na Justiça. Discretos na vida pessoal, eles acompanham seus advogados elevarem o tom nos tribunais trocando acusações que vão de “fraudador” a “oportunista” e “desleal”.

A briga se dá na Justiça entre as pessoas jurídicas das empresas dos quais eles são os principais sócios, mas quem acompanha não consegue dissociar dos bilionários as frases cada vez mais venenosas nas peças judiciais.

Esteves tem um estilo mais agressivo no mundo dos negócios, segundo agentes do mercado financeiro. Começou como programador de computadores no Pactual e anos depois comprou o banco dos sócios. Sempre teve Lemann como um exemplo do que queria ser: bilionário antes dos 40 anos e dono de um banco que fosse uma referência, o maior entre as instituições de investimentos.

Na vida pessoal, a relação dos dois era amistosa e marcada pela cordialidade e a admiração mútua, diz uma fonte.

Lemann também teve parte da vida profissional forjada num banco de investimentos, o Garantia, no qual instaurou uma cultura de estímulos baseadas na chamada meritocracia. Quem fazia mais dinheiro ganhava mais poder .

Acabou se tornando a face mais visível da 3G Capital, veículo de investimentos que tem como sócios os igualmente bilionários Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — este último apontado como mais ligado à Americanas. Os três são sócios também de AB Inbev (dona da Ambev), Kraft Heinz e Burger King.

Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira são os fundadores da 3G Capital e acionistas da Americanas — Foto: Divulgação
Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira são os fundadores da 3G Capital e acionistas da Americanas — Foto: Divulgação

Advogados que acompanham o caso da Americanas dizem que os executivos do BTG, incluindo Esteves, ficaram furiosos quando a crise da varejista estourou. Problemas com grandes clientes, ainda mais se o risco é de um calote bilionário, significam menos ganhos para o banco e bônus menores para os executivos, estimulados por Esteves com compensações por resultados.

Quando um devedor entra em recuperação judicial, o banco tem de provisionar como perda o crédito em risco, o que afeta o lucro.

A irritação foi maior porque a Americanas teria tentado sacar R$ 800 milhões do BTG horas antes do escândalo detonado em 11 de janeiro pela revelação de um rombo bilionário nas contas da varejista. Uma operação inusual e que só não foi realizada porque o pedido foi feito a funcionários do banco sem autonomia para realizá-la de imediato. No mesmo dia, após o fato relevante, com o pé atrás, o BTG declarou vencimento antecipado de uma dívida de R$ 1,2 bilhão, sem margem para negociação.

A Americanas deve ao banco R$ 3,5 bilhões, de acordo com a lista de credores divulgada. Cerca de R$ 400 milhões tinham resseguro. A instituição conseguiu liminar do STJ para a compensação do R$ 1,2 bilhão, feita antes de a varejista fazer o controverso pedido de proteção judicial contra credores. Com isso, a exposição do BTG à Americanas é de R$ 1,9 bilhão, significativo em relação ao patrimônio líquido do banco, de R$ 47 bilhões em setembro.

André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual — Foto: Agência O Globo
André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual — Foto: Agência O Globo

O pedido de proteção ocorreu após a reunião em que o então CEO da Americanas, Sergio Rial, disse aos bancos que recuperação judicial não estava nos planos. A ação foi vista como quebra de confiança e desatou uma dura batalha jurídica, liderada pelo BTG, mas acompanhada por bancos como Bradesco, Santander, Safra e Votorantim.

Gota d’água

Os nervos ficaram cada vez mais à flor da pele enquanto Lemann e seus sócios relutavam em dar um sinal concreto de que estavam dispostos a colocar a mão no bolso para socorrer a Americanas. Juntos, os três têm patrimônio estimado em R$ 180 bilhões, o que o BTG fez questão de ressaltar na Justiça, com apostos nada elogiosos.

A gota d’água veio quando, em um comunicado, o trio disse que não sabia das falhas contábeis da Americanas e buscou dividir as responsabilidades com a auditoria dos balanços e com os financiadores da varejista. Os três estocaram os bancos afirmando que eles nunca denunciaram nada.

Advogados familiarizados com o caso dizem que parte da facilidade com que a Americanas conseguiu crédito nos últimos anos vem da reputação e credibilidade do trio.

Ainda não se sabe exatamente o porquê de o BTG ter ajudado a organizar a fatídica conferência de 12 de janeiro na qual Rial tentou explicar sua renúncia anunciada na noite do dia anterior acompanhada da “bomba” de que havia R$ 20 bilhões em dívidas ocultas no balanço da empresa. Concomitantemente ao evento, o BTG de Esteves fazia o primeiro ataque à Americanas, o bloqueio de R$ 1,2 bilhão.

Fontes ligadas ao banco afirmam que a conferência foi realizada a pedido de Rial e que o BTG somente forneceu a infraestrutura do banco e comunicação a investidores.

Embate entre Americanas e BTG Pactual chama a atenção na Justiça — Foto: Criação O Globo
Embate entre Americanas e BTG Pactual chama a atenção na Justiça — Foto: Criação O Globo

Depois, o BTG fez agravo de instrumento questionando o pedido de recuperação judicial e o fato de a Justiça ter autorizado a varejista a reaver o R$ 1,2 bilhão. O documento foi elaborado por 13 advogados de dois escritórios, mas o tom duro dos argumentos teve o dedo de Esteves, diz um gestor que conhece seu estilo.

O texto diz que “o caso em questão é a triste epítome de um país. Os três homens mais ricos do Brasil (com patrimônio avaliado em R$ 180 bilhões), ungidos como uma espécie de semideuses do capitalismo mundial ‘do bem’, são pegos com a mão no caixa” da varejista.

“É o fraudador pedindo às barras da Justiça proteção ‘contra’ a sua própria fraude”, diz a peça, apontando que a Justiça do Rio não tinha competência para de devolver o R$ 1,2 bilhão à rede. O BTG levou a discussão para o STJ.

Representantes de centrais sindicais fazem protesto no Centro do Rio contra a Americanas — Foto: Fábio Rossi
Representantes de centrais sindicais fazem protesto no Centro do Rio contra a Americanas — Foto: Fábio Rossi

Pessoas que conhecem Lemann o descrevem como discreto e avesso a holofotes. Mas sempre teve um perfil competitivo no mundo dos negócios — e não à toa tornou-se dono de um império, diz um conhecido do empresário. Um amigo diz que Lemann recrutava pessoas que pensam como ele: ganhar cada vez mais dinheiro, começando do zero, e reduzir despesas ao máximo. É a filosofia.

No dia 1º de fevereiro, a Americanas elevou o tom contra o BTG no STJ, apontando “ conduta oportunista”, “conivência e culpa” na crise. E refutou a acusação de fraude dizendo que, se houve, foi vítima. Procurados, BTG e Americanas não se pronunciaram.

Mais recente Próxima Americanas x BTG: veja os ‘rounds’ do embate entre varejista e banco no ringue da Justiça
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