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2022: "Tem de lançar um só não, tem de lançar dez", diz Lula sobre 3ª via

12.jun.2021 - Lula se reúne com lideranças comunitárias no Rio de Janeiro - Lola Ferreira/UOL
12.jun.2021 - Lula se reúne com lideranças comunitárias no Rio de Janeiro Imagem: Lola Ferreira/UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

17/06/2021 13h23

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou hoje em entrevista ao Sistema Tribuna de Comunicação, do Rio Grande do Norte, que defende não só uma candidatura, mas várias na chamada 3ª via que "fuja" da polarização entre ele e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"As pessoas ficam preocupadas com a minha candidatura, com a candidatura à reeleição do presidente. Ora, eles podem lançar candidatos. Não tem que procurar um só, tem que procurar dez. Cada partido deveria lançar um candidato, e o povo vai votar e escolher quem pode ser eleito", afirmou.

Lula comparou o momento com as eleições de 1989, quando 22 nomes disputaram a Presidência.

"As pessoas esquecem que, quando disputei a eleição em 1989, disputei contra algumas das personalidades das mais extraordinárias do Brasil, com o doutor Ulysses, doutor Aureliano Chaves, doutor Brizola, tinha Mário Covas, Paulo Maluf, Afif. Era uma penca de candidatos de personalidades muito respeitadas, e fui para o segundo turno. Essas pessoas precisam compreender que eles não têm esse destaque que merecem porque eles não têm partido politico", disse, citando que falta aos postulantes terem mais relevância popular.

"É preciso construir partido político com base real na sociedade. E o que temos no Brasil é um conjunto de cooperativas de deputados que se juntam na disputa de uma eleição. Acho que deveríamos ter muitos candidatos. Eu sou daqueles que defendem que cada partido deveria ter um candidato a presidente: todo mundo botar a cara, pedir voto e depois valorizar o que o povo decidir. Esse é o jogo democrático", pontuou.

Questionado porque então estaria buscando alianças com líderes de outros partidos, o ex-presidente negou que seja por motivação eleitoral.

"Eu fico procurando pessoas que querem construir um programa para poder consertar o Brasil. A aliança pode ocorrer no segundo turno. Eu tenho uma relação extraordinária com vários partidos que querem lançar candidatos. Eu nunca perdi relação com partidos que lançaram candidatos contra mim. Eu vou procurar conversar porque acho que, em um país democrático e civilizado, as pessoas quando disputam uma eleição são adversários momentâneos, como dois times em campo: tem jogo duro, tem falta, tem botinada, mas, depois, a vida segue", comparou, citando que "já sei quem quer e quem não quer."

11.jun.2021 - Lula e Eduardo Paes almoçaram no Rio de Janeiro  - Ricardo Stuckert - Ricardo Stuckert
11.jun.2021 - Lula e Eduardo Paes almoçaram no Rio de Janeiro
Imagem: Ricardo Stuckert

"Polarização é normal"

O ex-presidente ainda alega que a polarização com Bolsonaro é uma coisa natural, mas afirma que o cenário é diferente agora por conta da postura do atual presidente.

"Eu polarizei com FHC duas vezes e perdi. Polarizei com Serra e Alckmin e ganhei, a Dilma polarizou com Serra e Aécio e ganhou. A diferença hoje é que temos um presidente que não é democrático, que não tem se demonstrado civilizado, que não respeita a medicina, que não respeita a ciência, que não respeita negros, que não respeita LGBT, que não respeita universidade, que não respeita juventude. É um destruidor das coisas que tinham construídas no país", afirmou.

Lula ainda analisou o apoio do "centrão" ao governo no Congresso e disse que não há homogeneidade nesse grupo, principalmente quando se trata de disputa eleitoral.

"Vocês [da imprensa] tratam o centrão como um partido único central de Brasília. Mas quando eles vêm para o seu estado, os interesses locais se sobrepõem aos interesses nacionais. O que cada deputado está preocupado é em saber quem é que ajuda ele a ganhar a eleição no estado. Lamentavelmente, é assim no brasil: os caciques são regionais, os partidos são tribos locais", disse.